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20
Notes
"Quero cozinhar pra você e ser surpreendido por você me agarrando por trás, pra eu te pegar no colo e te beijar, colocando-a sentada em cima da bancada, pra que eu possa cozinhar. Quero queimar o arroz e pedir pizza pra comer deitado na cama com você, já que não sei cozinhar nada. Quero dormir na sala, tomar banho junto. Guerra de travesseiro, jogar Xbox com você, sabendo que vamos terminar deitados na cama nos beijando, brigando, voltando, rolando, pulando, arranhando. Por isso eu amo essa forma verbal, gerúndio. Quero poder colocar meus verbos no gerúndio, com você. Desde acordar e ir fazer café e me deparar com você sentada na mesa de cabeça baixa, apoiada nos braços, toda desarrumada, com cara de sono, desde dormir ouvindo tuas palavras doces, músicas lentas e poemas pela metade, até brigar com você e ir dormir sem querer olhar na tua cara, mas acordar e ir pedir desculpas, dizer que você fica linda quando tá com raiva de mim, e que não consigo ficar sem falar com você. Quero que as gavetas não sejam separadas por “minhas” e “suas”, que todas as gavetas e espaços da nossa casa, tenham coisas nossas. Misturadas, entrelaçadas, bagunçadas, emboladas. Quero meu cheiro na tua camisa preferida, e teu cheiro na casa inteira. Quero ir sair pra comprar flores e chocolates pra você no dia dos namorados e quando te entregar, me lembrar que você é alérgica a chocolates, e que as únicas flores que gostam são girassóis. Ir à biblioteca e ter que mandar você calar a boca, porque faz muito barulho quando chora, depois de ler teu livro favorito. Quero que você me distraia de todas as maneiras possíveis enquanto eu jogo vídeo-game, arranhar minhas costas, passar na frente da televisão, tirar a blusa, o que for. Até eu parar de jogar e ir com sede de você, pra você. Frases soltas e curtas entre nossos beijos. Mas não quero morar com você pra viver de sexo. Quero madrugadas acordadas vendo filmes que não gosto, criticando, falando mal, só porque esse tal filme, é teu filme favorito. O edredom me esquenta, e meus braços, te aquecem. Quero mais olheiras pra mim, e mais sorrisos em você. Você dizendo que eu faço o melhor café que você já provou em sua vida. Quero dormir no chão, depois de ficar a noite toda jogando jogos de tabuleiro que você achou no porão da casa da sua avó. Você dormindo na minha barriga, e nossas mãos entrelaçadas. Quero sair pra lanchar no shopping com você e acabar voltando pra casa com cinco camisas de bandas que eu comprei, e você brigando comigo porque além de você não gostar das bandas, eu não vou ter dinheiro pra pagar, e vou ter que fazer hora-extra no emprego. Quero ir pra piscina com você e puxar sua perna debaixo d’água, quero te deixar sozinha num lugar que você não conhece e te ver desesperada me procurando, e depois vir chorando pra mim, dizendo que ficou com medo, me batendo e falando pra eu nunca mais fazer isso. Quero te levar pra assistir o jogo de futebol do meu time e ver você com cara emburrada, porque não entende nada que tá acontecendo no campo. Comemorando o gol do time rival só pra me irritar. Quero viajar com você pra um lugar que a gente nunca ouviu falar, só por diversão. Ficar num hotel barato que não tem vista pra lugar nenhum, que a porta range ao ser aberta, e dar risada disso tudo. Ir acampar com nossos melhores amigos, e morrer de medo quando ouve um barulho de madrugada. Quero deitar no teu colo e te ver sorrir. Quero que você deite no meu colo e brigue comigo, porque eu só reclamo da vida. Quero que você me abrace quando eu estiver com raiva de você, pra eu mudar de ideia. Quero acordar todo dia de manhã com você ouvindo uma música ruim alta, da banda que eu mais odeio na terra, só pra me irritar. Rir de você porque você não consegue pronunciar certas palavras. Quero nossos amigos dormindo no nosso apartamento, pra nós ficarmos rindo a noite toda com coisas idiotas, quero que nós fujamos da festa na sala, pro quarto, tranquemos a porta e fiquemos lá. Eu bebendo escondido, porque você não gosta que eu beba. Você fica sem me beijar até que eu te segure e te puxe da forma que você gosta, quase obrigando você a me beijar. Você me beijando sem eu te obrigar. Minha melhor amiga bêbada no canto da festa, com uma latinha de cerveja na mão, perguntando como conseguimos estar juntos por tanto tempo. Quero que depois que todo mundo vá embora, nós começarmos uma faxina, eu te puxo e não te deixo varrer nem se quer a cozinha. Jogar-te no sofá e mesmo você insistindo querer arrumar a bagunça, te beijar e calar sua boca. Quero acordar com você do meu lado e sempre pensar “como você fica linda dormindo”. Ir pra sala e ver você vindo até mim na ponta do pé, achando que não estou te vendo, vestida só de calcinha e com uma camisa grande, rasgada e surrada minha que parece um vestido em você. Seu cabelo preso num coque, me olhando por minutos, tomando café e lendo o jornal, cinco horas da manhã. Ver-te de pé encostada na parede, com cara de quem não dorme a dias e te chamar pra sentar do meu lado. Tentar te beijar e você não deixar, porque ainda não escovou os dentes. Você me chamando pra voltar pra cama pra dormir, porque ainda são cinco horas e eu sou vou trabalhar às nove. Quero ver você chegar em casa cansada da faculdade me encontrar escutando aquele meu CD velho, da minha banda preferida que você me deu de presente no meu aniversário de 16 anos. Jogar suas bolsas no chão e te levar pro banheiro no colo, ficar abraçados no banheiro até as mãos ficarem enrugadas. Passar sabonetes nas suas costas, e você querendo fazer penteados estranhos com shampoo, nos meus cabelos grandes e cacheados. Voltar pro quarto e vestir aquele meu pijama que você acha engraçado de bolinhas azuis, que parece pijama de criança. Um beijo de boa noite, e você dormir em cima da minha barriga, ouvindo histórias que eu sempre te conto, de quando eu era criança. Levar-te ao cinema pra ver um filme de ficção científica só porque você acha monstros e alienígenas uma coisa bizarra. Alugar filmes de zumbi na locadora, e te dar sustos sempre que estivermos em silêncio. Acordar no meio da noite e te ver abraçando um travesseiro, dizendo que está com medo, porque teve um pesadelo. E sempre que você estiver dormindo, te assustar, fazendo com que você não durma de vez. Contar histórias de terror pra você, mesmo sabendo que você não tem medo. Comprar tinta nova pra pintar a parede do quarto, porque aquele azul bebê já estava enjoativo, pintar a parede, a sua blusa, sua perna, seu rosto, e te beijar pra você não ficar irritada porque eu sem querer melequei todo o seu caderno de tinta. Ir à uma loja de gibis e te fazer ficar quarenta minutos sentada numa cadeira, olhando pra coisas que você nunca viu na vida, com títulos bizarros e desenhos estranhos. Conversar com você sobre a minha série favorita como se você fosse a segunda maior fã da série, mesmo sem você ter visto nenhum episódio. Numa tarde de tédio, resolver do nada, ir a praia e ficar lá a noite toda. Cochilar na areia e acordar com você na minha frente, tremendo, dizendo que a água estava muito mais gelada do que parecia. Te secar e ficar sentado abraçado com você, esperando o sol nascer. Ir comprar roupas e escolher a roupa do outro, comprando shorts que você só usaria sobre pressão, e você comprando bermudas que eu só usaria se estivesse muito bêbado. Escrever-te textos e bilhetes de madrugada, pra ver se o tempo passa mais rápido, sem saber que no quarto, você está me desenhando. Ir pra um lugar abandonado, vazio, com tábuas, pregos e um colchão e fazer uma “casa alternativa”, pra ir quando não tiver nada pra fazer. Uma casa tão grande que só cabe eu, você, nosso colchão e um isopor onde guardávamos bebidas aleatórias. Acordar de manhã no meu aniversário e ver um embrulho em cima da bancada do lado da cama, abrir e ver que não tem nada. Ir falar com você na sala, e te ver brincando com um boneco de ação do Capitão América, que seria meu presente. “Desculpa, não resisti. Ele é muito fofinho”."
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95158
Notes
"Amor não acaba. Filmes acabam, balas acabam, dias acabam, beijos acabam, noites acabam, chocolate acaba, o assunto acaba, a paciência acaba, a vontade acaba - desejo diminui. Mas o amor não. Ele entra em coma, fica fraco, doente e, se for o caso, morre. Amor não é um sentimento, um fato, um objeto. Amor é uma vida, é algo que sai da compreensão humana, científica, racional. Amor não começa e acaba. Amor nasce e morre."